Ministra Marín defende seu ministério após declarações de Olivares contra Bachelet

A ministra da Mulher usou dados de representação feminina para responder ao deputado do PDG, que mandou a ex-presidente cuidar dos netos.

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Judith Marin MoralesEm espanholImagem: commons.wikimedia.org · Gobierno de Chile · CC BY 3.0

A ministra da Mulher e da Equidade de Gênero, Judith Marín, respondeu por escrito ao deputado Javier Olivares, do Partido do Povo (PDG). Em uma carta enviada ao El Mercurio, afirmou que os comentários do parlamentar sobre Michelle Bachelet e Evelyn Matthei provam que seu ministério deve continuar existindo.

Segundo informou a CNN Chile, que reproduziu a carta a partir da Radio Biobío, Marín afirmou que as diferenças políticas são legítimas. No entanto, acrescentou que elas não justificam a falta de respeito às mulheres observada durante a semana.

A polêmica teve origem em uma entrevista na qual Bachelet deixou aberta a possibilidade de uma terceira candidatura presidencial. Olivares reagiu pedindo que ela se mantivesse "o mais afastada possível do debate político". Também desejou que a ex-presidente se retirasse para sua casa para ficar com os netos.

O deputado foi além. De acordo com o T13, sugeriu que Bachelet imitasse Matthei, ex-prefeita de Providencia e ex-candidata presidencial da UDI, e se dedicasse a preparar ensopados para ensinar as pessoas.

Em sua carta, Marín escreveu que "cozinhar e cuidar da família são tarefas valiosas e não devem ser menosprezadas". Segundo a ministra, usar essas atividades para responder a uma opinião política equivale a atribuir a uma mulher um lugar apenas por sua condição de mulher.

A ministra apresentou dados para sustentar seu argumento. As mulheres representam cerca de 51% do eleitorado, mas ocupam 33,5% das cadeiras da Câmara de Deputadas e Deputados e 32% do Senado. Nos municípios, comandam cerca de 17% das prefeituras e representam apenas um terço dos vereadores.

Para Marín, cada desqualificação aumenta essas barreiras e desestimula quem busca entrar na política. "Podemos discordar em nossas ideias, mas o respeito deve estar acima de qualquer diferença", concluiu a ministra.

A carta vem após uma primeira cobrança. Em 8 de outubro, Marín já havia rejeitado as declarações e exigido que o deputado pedisse desculpas a Bachelet. As fontes consultadas não informam se Olivares respondeu a esse pedido.

As críticas atravessaram o espectro político. Matthei defendeu a ex-presidente apesar de suas diferenças e afirmou que, no Chile, já passou o tempo em que se mandava as mulheres "para a cozinha". O Partido Socialista, por sua vez, anunciou que levará Olivares à Comissão de Ética da Câmara.

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