O subsecretário-geral de Governo, José Francisco Lagos, confirmou nesta quarta-feira que o Executivo acelerará os estudos para avaliar a instalação de radares meteorológicos, segundo o La Tercera. Lagos fez o anúncio em conversa com a rádio Duna, um dia após o temporal que alagou ruas e passagens subterrâneas em Santiago.
A tempestade de terça-feira foi breve, mas intensa. Trouxe chuva, trovoadas e granizo. Inundou subsolos e várias ruas da capital.
O episódio ocorreu poucos dias após o fluxo de lama e detritos da quinta-feira passada, que deixou graves danos em Las Condes. Esse evento levou a prefeita do município, Catalina San Martín, a apontar a necessidade de contar com tecnologia que permita antecipar fenômenos desse tipo.
Essa tecnologia corresponde aos radares meteorológicos. Esses equipamentos emitem ondas eletromagnéticas que interagem com gotas de chuva e partículas de gelo, permitindo detectar e acompanhar as precipitações. Segundo especialistas citados pelo jornal, com eles seria possível avisar a população por meio do Sistema de Alerta de Emergência (SAE) e determinar evacuações preventivas.
Dias antes, o subsecretário do Interior, Máximo Pavez, havia confirmado que o governo avalia adquirir esses instrumentos. Esclareceu que cada radar custa cerca de $800 milhões.
Lagos explicou que o orçamento de 2027 já contempla radares, embora voltados para outro risco. "Radares para monitorar os tsunamis, porque também somos um país de tsunamis", disse. No entanto, reconheceu que os eventos recentes obrigam a considerar outros fenômenos.
"Vamos acelerar os estudos para verificar a eficácia desse tipo de instrumento e, se necessário, adquiri-los", afirmou o subsecretário. Acrescentou que a prevenção é fundamental, sobretudo para alertar as pessoas.
A autoridade destacou que nem o temporal de terça-feira nem o fluxo de lama e detritos de quinta-feira deixaram vítimas fatais. Ainda assim, admitiu que essa possibilidade "poderia ter ocorrido". Por isso, defendeu que todas as instituições devem contar com as ferramentas adequadas para enfrentar emergências climáticas.
Lagos atribuiu a sequência de eventos a um fenômeno El Niño particular. Afirmou que este é um dos outubros mais chuvosos de que se tem registro e que as chuvas se concentraram nas áreas onde vive a maior parte da população.
O debate também tem uma dimensão política. Prefeitos como San Martín e o de Ñuñoa, Sebastián Sichel, têm questionado a gestão do Executivo durante a emergência. A fonte não detalha prazos para os estudos nem quantos radares seriam comprados.
Por enquanto, o único compromisso concreto é acelerar a avaliação técnica. A decisão sobre a compra permanece em aberto, com um custo de referência de $800 milhões por equipamento e um orçamento de 2027 que atualmente só prevê radares para tsunamis.




