Economista-chefe do Santander prevê crescimento zero em 2026 e alta de 3,5% em 2027

Andrés Sansone atribui o resultado à queda da mineração e à estagnação do restante da economia e alerta que os riscos inflacionários aumentaram.

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Andrés Sansone, economista-chefe do Santander, projeta que a economia chilena encerrará 2026 com um crescimento em torno de zero e que em 2027 voltará a crescer 3,5%, segundo o La Tercera. Sansone foi coordenador macroeconômico do Ministério da Fazenda quando Mario Marcel comandava a pasta.

Sua estimativa para este ano vai de 0,1% negativo a 0,1% positivo. "Isso muda pouco o diagnóstico", disse ao veículo. Como referência, no início do ano as expectativas apontavam para um crescimento de 2,5%, e alguns falavam em mais de 3%.

O economista explica a desaceleração por dois golpes simultâneos. O primeiro é a mineração de cobre, que em agosto apresentou números que não se viam havia 30 anos. Segundo sua estimativa, o setor de mineração como um todo poderia recuar entre 6% e 7% neste ano.

O segundo golpe está no restante da economia. Sansone afirma que a atividade não relacionada à mineração, medida em termos dessazonalizados (ou seja, sem os efeitos próprios de cada época do ano), está praticamente estagnada desde o início de 2026.

A isso somou a deterioração das expectativas e a alta dos combustíveis, que tornou as famílias mais cautelosas e afetou o consumo e o investimento. Questionado sobre a responsabilidade do governo, disse que é difícil saber quanto os preços teriam subido se o Mepco, mecanismo que suaviza as variações dos preços dos combustíveis, tivesse sido mantido.

Sansone reconhece algo pouco habitual: o Chile teria um crescimento muito fraco sem uma grande crise internacional em curso. A mineração, insiste, é um dos fatores que mais pesam nesse resultado.

Para 2027, ele é mais otimista que o Ministério da Fazenda, que projeta 3,3%. Na sua avaliação, não será apenas uma recuperação estatística. "A capacidade produtiva do Chile não desapareceu", afirmou, e lembrou que o país teve um crescimento médio de 2% nos últimos 15 anos.

Seu otimismo se apoia em três motores. Há projetos de investimento relevantes para os próximos cinco anos, alguns produtos agrícolas afetados no início do ano devem melhorar e a mineração deve se normalizar, com um crescimento entre zero e algum valor positivo. O investimento seria o responsável por impulsionar a recuperação.

O principal alerta está nos preços. "O Banco Central hoje está em uma situação desconfortável (...) a inflação está subindo e os riscos inflacionários aumentaram em relação ao último Ipom", disse, em referência ao Relatório de Política Monetária. Na prática, se os preços sobem, o Banco Central tem menos espaço para reduzir a taxa de juros, e o crédito continua caro para o seu bolso.

Na área fiscal, Sansone abordou o Relatório de Finanças Públicas, que projeta cumprir com folga a meta de déficit estrutural, passando de -2,6% para -2,3% do PIB, pela primeira vez em quatro anos. Segundo ele, o cobre não explica essa melhora no saldo estrutural. Ela é explicada pelas receitas do lítio e por outras receitas, e não por uma redução dos gastos, que crescem devido ao plano de reativação e emprego.

Sobre o Orçamento de 2027, considera limitado um aumento dos gastos de 1,5% em relação ao que efetivamente será gasto neste ano. Antes da pandemia, a média era de 5%. O título da entrevista resume sua mensagem para o país: "O Chile deve se acostumar a uma economia mundial mais volátil e disruptiva". A fonte disponível não detalha quais riscos externos específicos ele tem em mente.

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