O subsecretário do Interior, Máximo Pavez, confirmou nesta segunda-feira que o Governo estuda adquirir radares meteorológicos, após a enxurrada de quinta-feira, 8 de outubro, em San Carlos de Apoquindo, em Las Condes. "Estamos analisando isso", disse à Radio Cooperativa.
Segundo informou o T13, Pavez explicou que o ministro do Interior e da Secretaria-Geral de Governo, Claudio Alvarado, determinou que fossem buscadas formas de comprar e instalar esses equipamentos no Chile. Também pediu que fossem definidos os possíveis prazos para contar com eles.
O subsecretário advertiu que se trata de "um investimento muito elevado". "É um investimento grande, porque significa ter vários", afirmou, referindo-se à necessidade de cobrir o território com múltiplos equipamentos. Segundo o BioBioChile, a ideia é avançar durante o próximo ano. O La Tercera esclareceu que a autoridade não apresentou valores, prazos nem uma data de implementação.
Pavez descreveu a compra como um projeto que ficou pendente durante diferentes administrações e que o Executivo busca retomar.
Sobre o ocorrido em Las Condes, o subsecretário explicou que a nuvem que gerou as chuvas "ficou parada e por isso caiu muita água em pouco tempo". "Muitas vezes os sistemas frontais, por determinadas condições, vão se transformando naquele momento", acrescentou. Na sua avaliação, um radar "permite chegar a esse nível de detalhe".
Ainda assim, Pavez defendeu o trabalho da Direção Meteorológica do Chile (DMC) e do Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred). Disse que suas capacidades de monitoramento "estiveram plenamente à altura" e que "para ninguém foi surpresa que houvesse precipitações moderadas ou intensas". O problema, segundo sua explicação, foi prever que a chuva se concentraria em um ponto específico.
O engenheiro de prevenção de riscos Luis Salamanca explicou ao Teletrece que os radares Doppler emitem ondas eletromagnéticas que são refletidas pelas gotas de chuva. Assim, medem a intensidade das precipitações e a velocidade e direção do vento em tempo real, dentro de um raio de até 240 quilômetros.
Com essa informação, explicou Salamanca, as autoridades poderiam fechar ruas, restringir deslocamentos e alertar quem estiver em áreas expostas. Segundo o especialista, esses sistemas podem prever certos eventos perigosos com pelo menos 30 minutos de antecedência.
Pavez também se referiu a outra iniciativa de alerta precoce. Segundo o T13, no contexto do Orçamento de 2027 existe uma concessão de alarmes de sirene para alertar sobre tsunamis. Esse projeto é distinto dos radares meteorológicos que estão atualmente em avaliação.
Enquanto isso, continua o monitoramento no sopé da cordilheira. O Serviço Nacional de Geologia e Mineração (Sernageomin) elevou para alto o nível de ameaça de movimentos de massa, porque os terrenos estão saturados pelas chuvas do inverno. As autoridades ordenaram uma evacuação preventiva limitada de moradores de Las Condes cujas casas sofreram mais danos.
O Ministério de Obras Públicas (MOP) limpou a Quebrada Honda e mantém a vigilância na Quebrada de Macul. Para o sistema frontal desta segunda-feira, Pavez advertiu que entre 10 e 20 milímetros concentrados em pouco tempo poderiam causar novos danos. Pediu que fossem evitadas viagens desnecessárias a áreas no sopé da cordilheira.




